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2 de set de 2014

Juíza 'permitiu' nova morte, diz advogado da família de Glauco

Defensor de viúva de cartunista morto por Cadu em SP criticou juíza de GO.
Ela soltou Cadu, que estava em manicômio, e ele cometeu latrocínio.


Carlos Eduardo Sundfeld Nunes foi preso suspeito de latrocínio em Goiânia, Goiás (Foto: Divulgação/PM)Carlos Eduardo Sundfeld Nunes foi preso suspeito
de latrocínio em Goiânia, Goiás
(Foto: Divulgação/PM)
O advogado Alexandre Khuri Miguel, que representa a família do cartunista Glauco, afirma que o assassino do artista e do filho dele jamais poderia ter deixado a internação do manicômio judiciário.
Na segunda-feira (1º), o acusado de matar Glauco Vilas Boas e Raoni Ornelas durantes surto psicótico em março de 2010 em Osasco, na Grande São Paulo, voltou a ser preso, agora em Goiânia. Dessa vez, ele é suspeito de roubar e matar um motorista e de uma tentativa de latrocínio na capital de Goiás.
Considerado inimputável (ou seja, que, em tese, não responde por seus atos e por isso não pode ficar numa prisão comum) Cadu ficou três anos internado em clínicas psiquiátricas pelas mortes de Glauco e Raoni, mas foi solto há um ano por decisão da Justiça de Goiás.
Em agosto de 2013, a juíza Telma Aparecida Alves, da 4ª Vara das Execuções Penais em Goiânia, autorizou Cadu a continuar o tratamento de forma laboratorial, mas sem a necessidade de internação. Em outras palavras: poderia circular pelas ruas.

Em entrevista ao G1, nesta terça-feira (2), o advogado Alexandre Khuri Miguel, que defende os interesses de Beatriz Galvão Veniss, viúva de Glauco Vilas Boas e mãe de Raoni Ornelas, criticou a decisão da magistrada.
'Crônica de uma morte anunciada'
“Ao soltar Cadu, a juíza escreveu a crônica de uma morte anunciada e permitiu uma nova morte”, disse Khuri Miguel sobre a juíza Telma. “Soltá-lo foi uma tragédia anunciada, um crime, o mesmo que dar a Cadu um atestado de óbito em branco para escolher o nome da próxima vítima”.

Ainda segundo o advogado, a juíza foi alertada pela defesa de que Cadu não tinha condições de convívio social fora da internação do manicômio judiciário. “Ele sofre de esquizofrenia e consome drogas. É um potencial risco à sociedade para pegar uma arma e matar”, disse Khuri Miguel.
A equipe de reportagem não conseguiu localizar a magistrada para comentar o assunto. De acordo com a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça de Goiás, ela dava entrevista coletiva por volta das 11h e não poderia falar com o G1.
O defensor da família de Glauco ainda responsabilizou a juíza pelos novos crimes cometidos por Cadu, no último domingo (30) em Goiânia. “Além da magistrada, os psiquiatras que liberaram Cadu também têm de ser responsabilizados por dolo eventual, ou seja, assumiram a possibilidade de o interno cometer um crime”, disse Khuri Miguel.
As críticas do advogado também não pouparam o pai de Cadu, Carlos Grecchi Nunes. “O pai também tem culpa porque teria a obrigação de cuidar do filho e impedir que ele fizesse algo de errado”, falou o defensor dos familiares de Glauco. “Uma das medidas de segurança era que o pai fosse responsável pelo rapaz”.
G1 não localizou o pai de Cadu para comentar às críticas.
Laudos
De acordo com o advogado, a juíza autorizou o tratamento laboratorial de Cadu, sem internação, com base em dois laudos: uma perícia do Programa de Atenção Integral ao Louco Infrator (Paili) e outra da junta Oficial do Poder Judiciário.
“Segundo a magistrada, os relatórios médicos atestavam que Cadu não apresentava sintomas para continuar tratamento hospitalar de internação”, disse Khuri Miguel. “E a junta médica atestou que ele poderia se tratar em nível ambulatorial”.
Segundo o defensor, Cadu só foi solto porque é um “louco rico”. “Se fosse um louco pobre, continuaria no manicômio, mas como é um louco rico, e a família dele pode pagar bons advogados, foi solto”, criticou.
A equipe de reportagem não conseguiu localizar os advogados de Cadu para comentar as declarações de Khuri Miguel. O advogado Gustavo Badaró o defendeu no caso do assassinato de Glauco e Raoni.
O caderno especial “Gibi do Glauco”, editado pelo jornal Folha de S.Paulo em 2010, se transforma em exposição paralela do 39° Salão Internacional de Humor de Piracicaba. (Foto: Divulgação/Salão de Humor)Glauco em foto de arquivo.
(Divulgação/Salão de Humor de Piracicaba)
Glauco
Em 2010, a defesa de Cadu culpou o Daime por potencializar a esquizofrenia que ele tinha e, desse modo, matar o cartunista e o filho dele. Antes dos assassinatos, ele frequentava a Igreja Céu de Maria, fundada por Glauco em Osasco, na qual os discípulos bebiam o chá de Ayusca alucinógeno.

“Agora não vão poder alegar que ele matou de novo porque bebeu o Daime”, falou Khuri Miguel, que espera que a Justiça de Goiás determine a volta de Cadu para a internação num manicômio judiciário. “Ele descumpriu a medida de segurança e isso é passível de pena de retornar ao lugar onde estava”.

Um novo laudo psiquiátrico, no entanto, deverá ser feito em Cadu em Goiânia. Se o resultado for de que ele não é inimputável, o advogado dos parentes de Glauco afirmou que irá pedir a reabertura do processo das mortes do cartunista e do filho dele.

“Se isso ocorrer será uma aberração jurídica porque antes haviam dito que ele é louco e não podia responder por seus atos. Agora se ele for considerado normal, vou pedir a reabertura do caso para que ele seja julgado como um criminoso comum”, disse Khuri Miguel.
suspeito de matar glauco (Foto: Reprodução/TV Globo)Cadu em imagem de arquivo quando foi preso no
Paraná em 2010 (Foto: Reprodução/TV Globo)
Os assassinatos
No dia 12 de março de 2010, Cadu foi levado à chácara de Glauco por um amigo, Felipe Iasi, então com 23 anos – que foi inocentado pelo acusado de participação no crime. Iasi afirmou que foi obrigado por Cadu a levá-lo até a residência do cartunista.
Segundo Cadu, a decisão de matar Glauco e Raoni foi tomada quando ele se descuidou e Iasi fugiu da chácara. Nesse momento, o suspeito achou que a polícia seria chamada, atrapalharia os planos e ele acabaria morto.
Após render a enteada de Glauco, Cadu entrou na chácara. Ele discutiu com Raoni e atirou no jovem. Em seguida baleou Glauco. No total foram quatro tiros disparados. Glauco tinha 53 anos, e Raoni, 25.
Após o crime, ele fugiu e passou dois dias escondido na mata. Nesse período, Cadu chegou a ligar para a viúva de Glauco. Um rastreamento mostrou que o acusado estaca em Cotia, na Grande São Paulo, quando fez a ligação.
Em 14 de março, Cadu roubou um carro e fugiu para o Paraná. Já no outro estado, ele furou um bloqueio policial e trocou tiros com policiais federais na Ponte da Amizade, em Foz do Iguaçu, na fronteira com o Paraguai, onde foi preso.
Do G1 São Paulo

Juíza acha que não errou ao soltar Cadu: 'Tomei todas as precauções'

Acusado de matar cartunista foi solto em 2013 e voltou a ser preso em GO.
Ele é suspeito de envolvimento em dois assaltos, um deles com morte.


Juíza Telma Aparecida Alves diz que Cadu era acompanhado: 'Não tenho como prever' (Foto: Paula Resende/G1)Juíza Telma Aparecida diz que Cadu era
acompanhado (Foto: Paula Resende/G1)
A juíza Telma Aparecida Alves, da 4ª Vara de Execuções de Goiânia, disse acreditar que não houve erro ao conceder liberdade, no ano passado, a Carlos Eduardo Sundsfeld Nunes, de 29 anos, conhecido como Cadu, assassino confesso do cartunista Glauco Vilas Boas e do filho dele, Raoni Vilas Boas. "Tomei todas as precauções que estavam ao meu alcance, os relatórios, os laudos médicos. Não acho que houve um erro", afirmou em entrevista coletiva nesta terça-feira (2).
Cadu, que estava livre desde agosto de 2013 após ser diagnosticado com esquizofrenia, foi preso novamente na segunda-feira (1º), na capital, suspeito de um latrocínio e uma tentativa de latrocínio. "Não tenho como prever o comportamento dos presos que cumprem medida de segurança, infelizmente aconteceu", afirmou a juíza.
A magistrada rebateu a crítica do advogado Alexandre Khuri Miguel, que defende os interesses de Beatriz Galvão Veniss, viúva de Glauco Vilas Boas e mãe de Raoni Ornelas, assassinados em 2010, em Osasco (SP). Ele disse que “ao soltar Cadu, a juíza escreveu a crônica de uma morte anunciada e permitiu uma nova morte”.  Telma afirmou que “lamenta muito que ele tenha esse posicionamento”. “O juiz toma as decisões com base em fundamentos, documentos, atestados. O judiciário toma atitudes conforme a legislação”, disse ao G1.
A juíza ressaltou que Cadu era acompanhado mensalmente pela Justiça de Goiás e que "a vida dele estava controlada". "Ele fazia faculdade de psicologia e estava trabalhando como limpador de piscina. Ele foi a várias casas e não houve nenhum problema. Antes, ele chegou a trabalhar em uma empresa de telefonia, mas quando foram assinar a carteira de trabalho, viram que ele cumpria medida de segurança e não o contrataram", destacou a magistrada.

Cadu continuava a fazer tratamento contra esquizofrenia na rede pública de saúde do estado. A informação foi confirmada ao G1 pela superintendente de Políticas de Atenção Integral à Saúde, da Secretaria Estadual de Saúde de Goiás, Mabel Bel Socorro. No entanto, diferente do que disse a juíza, a superintendente afirma que ele comparecia a um Centro de Atenção Psicossocial (Caps) de três em três meses.“Temos registros de que ele continuava frequentando o Caps e, segundo a família, tomava a medicação corretamente e até estava trabalhando”, afirmou.

Mabel diz que, logo após ser transferido para Goiânia, o jovem foi incluído no Programa de Atenção Integral ao Louco Infrator (Paili), pelo qual passou por tratamento em uma clínica psiquiátrica. “Foram feitas avaliações médicas que comprovaram que ele não precisava ficar recluso e ele foi encaminhado para o atendimento ambulatorial. A junta Oficial do Poder Judiciário também entendeu que ele poderia voltar ao convívio social, em agosto de 2013", disse.

Sobre os novos crimes pelos quais Cadu é suspeito, a juíza Telma Aparecida explicou que ele será indiciado como um criminoso comum. No entanto, em função da esquizofrenia, ele poderá ser absolvido.
“Ele vai ser levado a julgamento pelo juiz criminal. O juiz deve pedir novos laudos, até porque ele já é paciente de medida de segurança. Se, por acaso, o laudo atestar que no momento da conduta ele tinha condição de perceber o que estava fazendo, o juiz pode vir a condená-lo. Se ficar atestado que ele estava com algum distúrbio mental, poderá ser aplicada a medida de segurança novamente”, explicou a magistrada.
Cadu e comparsa presos pela polícia com carro roubado, em Goiânia (Foto: Paula Resende/G1)Cadu segue detido em delegacia de
Goiânia (Foto: Paula Resende/G1)
Tratamento
A superintendente explica que os pacientes atendidos pelo programa, sejam eles suspeitos de crimes, ou não, sofrem de doenças psiquiátricas e recebem a mesma atenção. “Toda pessoa que sofre com essas doenças podem cometer crimes, por isso não existem distinção na rede de saúde. Muitas pessoas defendem os manicômios psiquiátricos, que são aqueles em que os pacientes ficam reclusos para o resto da vida, mas isso não é o ideal. A pessoa precisa ser tratada, não adianta ficar presa e continuar doente. Quando ela está bem, pode sim voltar ao convívio social, desde que mantenha o tratamento pelo tempo necessário”, ressaltou.
Mabel destacou que o Paili já tem 10 anos de atividades em Goiás e, dos 425 pacientes atendidos durante esse período, apenas dois, incluindo Cadu, voltaram a ser suspeitos de cometer crimes. “Nesse programa equipes multidisciplinares, formadas por psicólogos, psiquiatras, advogados, entre outros, fazem a avaliação mental e social do paciente. De todos os nossos atendimentos, apenas dois voltaram a ser suspeitos de reincidir em crimes. Sendo assim, é preciso ressaltar que o programa é eficiente”, destacou.
Prisão
Cadu foi preso na tarde de segunda-feira (1º), após uma perseguição policial em Goiânia.De acordo com o delegado Thiago Damasceno, ele dirigia um carro roubado quando foi abordado. Esse veículo havia sido levado durante o assalto no Setor Bueno, na noite de domingo (31), quando um jovem de 21 anos foi assassinado.
O delegado Thiago Damasceno diz que, na segunda-feira, notou o veículo em que estava Cadu em atitude suspeita e decidiu seguí-lo. “Eu tinha a placa e as características do Honda Civic que foi roubado no domingo de um jovem de Goianésia. E hoje, dirigindo pela cidade, eu avistei esse carro e comecei a persegui-lo. Eu pedi ajuda de um guarda municipal. Ao perceber que estava sendo seguido, ele subiu na calçada e tentou fugir, mas acabou batendo no muro e foi rendido”, disse o delegado ao G1.

Segundo ele, Cadu atirou contra os policiais, mas ninguém se feriu. Em seguida, o suspeito tentou fugir, mas foi rendido por policiais militares que passavam pelo local. Com ele, a polícia apreendeu um revólver calibre 38 prateado, mesma descrição da arma que matou o rapaz.
Carlos Eduardo Sundfeld Nunes foi preso suspeito de latrocínio em Goiânia, Goiás (Foto: Divulgação/PM)Cadu estava machucado quando foi preso em
Goiânia (Foto: Divulgação/PM)
Crimes
Cadu é suspeito de envolvimento na tentativa de latrocínio de um agente prisional, de 45 anos, no último dia 28, no Setor Bueno. Câmeras de segurança registraram o momento em que, segundo a Polícia Civil, Carlos Eduardo foge após atirar na vítima.

Nas imagens divulgadas pela polícia goiana, é possível perceber o momento em que um homem desce de um Honda City e caminha pela Rua T-28, na capital. Para o delegado Thiago Damasceno, o rapaz que aparece nas imagens é Cadu.
No vídeo, é possível perceber quando uma VW Saveiro para no meio da via. De acordo com as investigações, nesse momento, o suspeito deu voz de assalto. O agente prisional reagiu e foi baleado na cabeça. Depois, o criminoso volta correndo em direção ao carro que o dava cobertura durante a ação. Segundo a corporação, duas pessoas reconheceram Cadu como sendo o autor dos disparos contra o agente prisional. A vítima foi socorrida e encaminhada para o Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo).

O Hugo informou, nesta manhã, que agente prisional segue internado em estado grave, na Unidade de Terapia Intensiva do hospital e respira com a ajuda de aparelhos.

Cadu também é suspeito de envolvimento em um latrocínio contra um jovem de 21 anos, no último domingo (31), no Setor Bueno, em Goiânia. A vítima havia deixado a namorada em casa, quando foi abordada por dois homens, que deram voz de assalto. Um dos criminosos atirou contra o rapaz, que morreu ainda no local. Os assaltantes fugiram levando o carro roubado.
O delegado afirma que o jovem negou ter cometido os crimes, mas admitiu ter conhecimento de que o carro em que estava quando foi preso, um Honda Civic, era roubado. "Ele parece mais ser dissimulado do que deficiente mental. Creio que ele não tem condições de viver em sociedade", destacou.
Do G1 GO

Gravação mostra pai de Bernardo falando sobre a morte da ex-mulher

Leandro Boldrini diz que Odilaine levou arma à clínica onde ele trabalhava.
Já na prisão, ele conta que não viu o momento em que ex-mulher deu tiro.


O cirurgião Leandro Boldrini, preso preventivamente pela morte do filho Bernardo no Rio Grande do Sul, deu sua versão sobre a morte da ex-mulher, Odilaine Uglione, em 2010. Em gravação feita quando o médico já estava na prisão, mostrada com exclusividade pelo Fantástico, da TV Globo, Leandro diz que Odilaine levou uma arma até a clínica onde o então marido trabalhava em Três Passos, Noroeste do estado, e apontou para ele (confira no vídeo).
"Ela sacou a arma de dentro da bolsa que ela tinha no colo, com a mão direita. Ela olhou para mim e apontou a arma nos meus olhos. Pensei: ‘pá, morri’", conta o médico.
Leandro Boldrini caso Bernardo Boldrini RS (Foto: Reprodução/TV Globo)Leandro Boldrini falou sobre morte da ex-mulher na
prisão (Foto: Reprodução/TV Globo)
À época, a investigação da Polícia Civil concluiu que a mulher se suicidou, fato contestado pela defesa da avó materna do menino, Jussara Uglione. O médico, no entanto, diz não ter visto o que aconteceu depois que teve a arma apontada para si. "Procurei me abaixar e saí pelo lugar onde eu tinha entrado, e realmente escutei o estampido. Achei que tinha acertado em mim", afirmou.
O corpo de Bernardo foi achado no dia 14 de abril enterrado em um matagal na área rural de Frederico Westphalen, a cerca de 80 quilômetros de Três Passos, no noroeste do estado, onde ele residia com a família. O menino estava desaparecido desde 4 de abril. Além de Boldrini, são réus no processo a madrasta, Graciele Ugulini, a amiga Edelvânia Wirganovicz e o irmão Evandro Wirganovicz. Eles estão presos e respondem pelos crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver.
Caso Bernardo (Foto: Reprodução)Leandro era carinhoso com a mulher, mas
provocava Bernardo (Foto: Reprodução/TV Globo)
O advogado da avó de Bernardo, Marlon Taborda, vai pedir a reabertura das investigações sobre o suicídio da mãe da criança. Taborda foi motivado a fazer o pedido após a divulgação de um vídeo que mostra uma briga entre a criança, o pai, Leandro Boldrini, e a madrasta, Graciele Ugulini. As imagens foram recuperadas pelo Instituto Geral de Perícias (IGP) do celular de Leandro.
Na gravação, Bernardo discute com o pai e com a madrasta quando eles falam sobre Odilaine.
Leandro: Eu sei que tua mãe é o máximo para ti. Mas simplesmente, ela te abandonou.
Bernardo: Ela não me abandonou. Tomara que tu morra! E essa coisa que morra junto!
Leandro: Tu vai ir antes. Doente do jeito que tu tá desse jeito. Teu fim vai ser igual ao da tua mãe.
Para o advogado, Graciele dá a entender que Odilaine foi assassinada. “Houve uma confissão da morte da Odilaine, que o Bernardo vai ter o mesmo fim que a mãe”, afirma Marlon. A polícia não informou se vai reabrir o caso.
Carinhoso com a mulher
Obtido com exclusividade pelo Fantástico, um novo vídeo mostra um casal apaixonado. Graciele e Leandro estão juntos em uma praça. “É a praça do amor, né?”, questiona a madrasta de Bernardo, sorrindo, com uma cuia de chimarrão na mão. Leandro concorda. Treze dias depois da gravação, o menino foi morto.
A polícia diz que, com a mulher Graciele, Leandro era carinhoso. Porém, um vídeo gravado em junho de 2013 mostra que a atitude com o filho era diferente. Leandro provoca várias vezes a criança nas imagens.
Leandro: Baixa esse facão, rapaz.
Bernardo: Não.
Bernardo: Então, para o vídeo. Senão, não vou parar.
Leandro: Eu mando em você. Eu mando. Baixa isso aí.
Na terça-feira (26), testemunhas começaram a ser ouvidas pela Justiça. Foi quando novos vídeos sobre o caso começaram a aparecer. O pai de Bernardo tinha apagado as gravações do celular, mas a perícia conseguiu recuperá-las. Em alguns trechos, só existe áudio. "Socorro. Meu pai me agrediu. Socorro", grita o menino.
A polícia acredita que Leandro e Graciele fizeram as filmagens com a intenção de mostrar para a Justiça que Bernardo tinha um comportamento agressivo. Seria uma forma de se defender, já que nos vídeos, o menino fala várias vezes que vai denunciar o casal.
Graciele: Quer o telefone emprestado para denunciar?
Bernardo: Sim.
Graciele: Ah... (risos)
Bernardo: Empresta. Empresta.
Graciele: Quer denunciar, se vira. Não empresto. Te vira.
Mas, para a acusação, os vídeos acabaram incriminando os dois. "Os gritos do Bernardo demonstram como ele era tratado dentro de casa. Tratado com ódio", afirma Marlon Taborda, advogado da avó materna de Bernardo.
'Estresse máximo', diz especialista
"É uma situação de estresse máximo, onde nós temos uma criança acuada, que está em franco desespero, desamparo", comenta Jair Mari, professor do departamento de psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Mari avalia que a atitude do pai de Bernardo deveria ser diferente. "Estamos observando tudo aquilo que não deve ser feito. Estimulando a humilhação e não o acolhimento, que seria em falar: ‘se acalma. O papai está aqui. O papai ama você’", explica.
O professor do Departamento de Psiquiatria da UFRGS Luís Augusto Rohde explica como o pai de Bernardo deveria agir nesta situação. "É importante em situações que a criança está descontrolada poder abraçá-la, poder contê-la, poder mostrar que alguém que a ajude a se controlar", destaca.
GNews - Menino Bernardo (Foto: globonews)Bernardo Boldrini foi encontrado morto em uma
cova  (Foto: Reprodução)
Entenda 
Conforme alegou a família, Bernardo teria sido visto pela última vez às 18h do dia 4 de abril, quando ia dormir na casa de um amigo, que ficava a duas quadras de distância da residência da família. No dia 6 de abril, o pai do menino disse que foi até a casa do amigo, mas foi comunicado que o filho não estava lá e nem havia chegado nos dias anteriores.
No início da tarde do dia 4, a madrasta foi multada por excesso de velocidade. A infração foi registrada na ERS-472, em um trecho entre os municípios de Tenente Portela e Palmitinho. Graciele trafegava a 117 km/h e seguia em direção a Frederico Westphalen. O Comando Rodoviário da Brigada Militar (CRBM) disse que ela estava acompanhada do menino.
O pai registrou o desaparecimento do menino no dia 6, e a polícia começou a investigar o caso. No dia 14 de abril, o corpo do garoto foi localizado. Segundo as investigações da Polícia Civil, Bernardo foi morto com uma superdosagem de um sedativo e depois enterrado em uma cova rasa, na área rural de Frederico Westphalen.
O inquérito apontou que Leandro Boldrini atuou no crime de homicídio e ocultação de cadáver como mentor, juntamente com Graciele. Ainda conforme a polícia, ele também auxiliou na compra do remédio em comprimidos, fornecendo a receita Leandro e Graciele arquitetaram o plano, assim como a história para que tal crime ficasse impune, e contaram com a colaboração de Edelvania e Evandro.
Do G1 RS

PM fingiu ser traficante responsável por morte de Amarildo, diz laudo

Laudo de voz do Instituto de Criminalística Carlos Éboli confirmou inquérito.
Marlon Campos Reis e outro soldado tentaram incriminar traficantes.


PMs são indiciados pelo desaparecimento do pedreiro Amarildo/GNews (Foto: Reprodução Globo News)PMs foram indiciados pelo desaparecimento do pedreiro Amarildo (Foto: Reprodução Globo News)
O Ministério Público do Rio de Janeiro informou, nesta segunda-feira (1) que os laudos de voz do caso do desaparecimento do pedreiro Amarildo de Souza, em julho de 2014, indicam que o soldado Marlon Campos Reis de fato se fez passar por um criminoso, na tentativa de responsabilizar traficantes pela morte de Amarildo, torturado por policiais da UPP da Rocinha, na Zona Sul do Rio.

Segundo parecer do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), é do soldado Marlon Campos Reis a voz do homem que ligou para outro policial fingindo ser o traficante Thiago da Silva Neris, conhecido como Catatau (na intenção de atribuir ao tráfico de drogas a resposabilidade pelo “sumiço” de Amarildo). Na ligação, Marlon faz supostas ameaças e diz que já “botou o Boi (apelido de Amarildo) na sua conta”.

Marlon sabia que sua ligação estava sendo monitorada, por ordem judicial, porque efetuou ligação para um celular de outro policial que sabia estar grampeado na chamada Operação Paz Armada, realizada no dia 13 de julho de 2013 na favela da Rocinha. A versão inicial de que a voz seria do traficante foi logo descartada por um laudo da Polícia Civil.

Em seguida, nova análise feita pela Divisão de Evidências Digitais e Tecnologia (DEDIT) da CSI, comparando a voz dos 34 PMs citados no processo, descobriu que o soldado Marlon foi o autor da ligação, acompanhado do soldado Vital. Com o telefone monitorado, eles foram a Higienópolis fazer a ligação.

O processo do caso Amarildo, que tramita na 35ª Vara Criminal, irá ingressar na fase de alegações finais. Em outubro de 2013, a Justiça recebeu denúncia do MPRJ contra 25 policiais por tortura , 17 por ocultação de cadáver, 13 por formação de quadrilha e quatro por fraude processual.
Tortura
Uma ação civil pública do Ministério Público do Rio aponta que dois dos mesmos policiais que participaram diretamente da tortura do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza - desaparecido no dia 14 de julho de 2013 após policiais da UPP Rocinha o levarem para uma averiguação - também foram responsáveis pela tortura de mais três adolescentes na favela da Rocinha, na Zona Sul do Rio. Ao todo, 29 PMs, entre eles o major Edson Santos, comandante da UPP da Rocinha à época, participaram do desaparecimento pedreiro. 

Além das três supostas vítimas de tortura pelos mesmos policiais envolvidos no caso Amarildo, outras cinco pessoas foram vítimas de agressões físicas e psicológicas por outros agentes lotados na mesma UPP. O MP quer que o Estado pague pelo menos R$ 50 mil a cada vítima de tortura ou seus familiares. Ao todo, por tanto, nove pessoas ou suas famílias poderão ser indenizadas.
Segundo a ação civil, o soldado Douglas Roberto Vital Machado torturou dois jovens moradores e o tenente Luiz Felipe de Medeiros invadiu a casa de um adolescente e acompanhado de outro policial o ameaçou de morte, deu tapas, socos a fim de conseguir informações sobre "o paradeiro de drogas e determinado traficante". Ambos são acusados de participar ativamente da tortura de Amarildo.
A ação foi ajuizada pela promotora Gláucia Santana por ato de improbidade administrativa contra 31 policiais militares acusados de torturar nove moradores da Rocinha. Na ação, a promotora pede a condenação dos policiais à perda da função pública e suspensão dos direitos políticos por cinco anos, além de pagamento de multa a ser fixada pela Justiça.

O Ministério Público também requereu à Justiça que o Estado seja obrigado a pagar indenização a cada uma das vítimas no valor de R$ 50 mil, além de depositar R$ 450 mil em um fundo estadual de defesa dos interesses difusos coletivos, a título de danos morais coletivos.

A Procuradoria-Geral do estado afirmou que ainda não foi notificada sobre as indenizações. O comando da Polícia Militar informou que não foi notificado oficialmente sobre a ação civil pública movida pelo Ministério Público contra 31 policiais militares acusados de torturar moradores da comunidade da Rocinha. Treze policiais citados na denúncia já estão presos por envolvimento no desaparecimento de Amarildo de Souza. Outros dois PMs também citados já responderam a um Inquérito Policial Militar (IPM) por abuso de autoridade e o caso agora está no 4º Juizado Especial Criminal.
A Corregedoria Interna da PM finalizou no início do mês de julho o IPM do caso Amarildo, indicando que 29 policiais militares tiveram participação no desaparecimento do ajudante de pedreiro. Os praças respondem a um Conselho de Disciplina. Já os oficiais respondem ao Conselho de Justificação da Secretaria de Segurança.

Operação Paz Armada 
Os casos foram relatados ao MP pelo Conselho Estadual dos Direitos Humanos e ocorreram, a partir de março de 2013, quando foi deflagrada a operação Paz Armada pela UPP da Rocinha e pela 15ª DP (Gávea) , para combater o tráfico de drogas na comunidade.

De acordo com a denúncia, moradores foram detidos sem qualquer flagrante; residências foram invadidas sem que a Polícia tivesse mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça; moradores da comunidade foram vítimas de ameaças, abuso de autoridade, e até mesmo de tortura e ações violentas cometidas por agentes militares contra gestantes e adolescentes. A operação também resultou na morte do pedreiro Amarildo Dias de Souza, em 14 de julho de 2013.

A partir da denúncia, foi instaurado inquérito civil e tomados os depoimentos de moradores na comunidade e na Promotoria, o que permitiu a ação.

A ação civil pública pede a condenação de Edson Raimundo dos Santos, Luiz Felipe de Medeiros, Douglas Vital Machado, Marlon Campos Reira, Joge Luiz Gonçalves Coelho, Victor Vinicius Pereira da Silva, Jairo da Conceição Ribas, Anderson Cesar Soares Maia, Wellignton Tavares da Silva, Fábio Brasil da Rocha da Graça, Reinaldo Gonçalves dos Santos, Lourival Moreira da Silva, Wagner Soares do Nascimento, Rachel de Souza Peixoto, Thaís Rodrigues Gusmão, Felipe Maia Queiroz Moura, Dejan Marcos de Andrade Ricardo, Jonatan de Oliveira Moreira, Márcio Fernandes de Lemos Ribeiro, Bruno dos Santos Rosa, Sidney Fernando de Oliveira macário, Vanessa Coimbra Cavalcanti, João Magno de Souza, Rafael bayma Mandarino, Rodrigo Molina Pereira, Adson Nunes da Silva, Tiago José Martins de Medeiros, Wesley Souza da Costa, Sidnei Leão dos Santos Filho, Rafael Adriano Silva de Carvalho e Vitor Luiz Evangelista.
Placa na Rua Von Martius também foi modificada (Foto: Fernanda Rouvenat/G1)Placa na Rua Von Martius também foi modificada
(Foto: Fernanda Rouvenat/G1)
Manifestações
O desaparecimento do ajudante de pedreiro Amarildo provocou muitas manifestações na Rocinha - muitas delas chegaram a interditar a Autoestrada Lagoa-Barra. Placas de rua foram modificadas e o nome do ajudante de pedreiro foi colocado no lugar dos nomes reais das vias, como a Von Martius, no Jardim Botânico, e na Almirante Salgado, em Laranjeiras. Na placa, Amarildo é descrito como "torturado e assassinado por policiais da UPP da Rocinha".
Do G1 Rio

'Ela não se lembra de nada', diz irmão de mulher agredida por cotovelada

Família está otimista quanto à recuperação da vítima que segue internada.
Mulher teve traumatismo craniano após golpe em São Roque (SP).


Vítima está internada na UTI em Sorocaba (Foto: Reprodução/TV TEM)Vítima segue internada em Sorocaba
(Foto: Reprodução/TV TEM)
Os parentes de Fernanda Regina Cézar Santiago, agredida por uma forte cotovelada na madrugada do dia 16 de agosto, em São Roque (SP), estão otimistas quanto à recuperação da jovem, que segue internada no Conjunto Hospitalar de Sorocaba (SP). Em entrevista ao G1, o irmão da vítima, Eduardo Cézar, afirmou nesta segunda-feira (1º) que Fernanda acordou algumas vezes e disse para a família que não se lembra do que aconteceu. "Ela acordou, mas não nos disse o que aconteceu naquele dia. Ela não se lembra de nada e também não estamos forçando já que a recuperação dela é o que importa agora".
Eduardo Cézar contou que o filho da irmã ainda não sabe das lesões da mãe. "Preferimos poupar o meu sobrinho de tudo isso", explica. Apesar disso, a família está esperançosa. “Estamos confiantes com a recuperação dela porque está melhorando a cada dia e o médico já descartou a possibilidade de cirurgia", informou Eduardo.
Eduardo Cézar (Foto: Reprodução/TV TEM)Eduardo Cézar, irmão de Fernanda
(Foto: Reprodução/TV TEM)
A auxiliar de produção, de 30 anos, sofreu traumatismo craniano após ser atingida pelo comerciante Anderson Lúcio de Oliveira, de 35 anos. Fernanda permanece na enfermaria neurológica, sem previsão de alta. De acordo com um boletim médico divulgado nesta segunda-feira (1º) pela Secretaria Estadual de Saúde, o estado de saúde da paciente continua estável.
Eduardo ressalta que Fernanda e Anderson, o agressor, são conhecidos e se encontraram ocasionalmente na festa realizada por uma casa noturna naquele fim de semana. Eduardo alega que os dois não tinham uma relação próxima. Anderson está preso na cadeia pública da cidade e vai responder por tentativa de homicídio qualificado, já que a vítima não teve chance de defesa, segundo a polícia.
Em entrevista ao G1 na sexta-feira (22), Eduardo disse que a família não consegue entender o que aconteceu. "Nós estamos indignados pelo que houve com a minha irmã. Foi uma atitude bruta, totalmente ignorante. Ninguém esperava que ele fosse reagir daquela forma e ninguém sabe ao certo qual o motivo da agressão", afirmou.
Médico analisou as imagens da agressão (Foto: Ana Carolina Levorato/G1)Médico analisou as imagens da agressão
(Foto: Ana Carolina Levorato/G1)
'Não vai se lembrar nunca', diz médico
A pedido do G1, o médico de Sorocaba (SP) Paulo Diniz da Gama analisou as imagens da cotovelada e afirmou que a vítima pode ficar sem sequelas graves, mas ressalta que possivelmente não se lembrará do que aconteceu. Segundo o profissional, isso porque não houve tempo suficiente para que o cérebro registrasse o fato na memória.
“Normalmente, esse tipo de concussão hemorrágica, quando controlada, como é o caso dela, não provoca sequelas que interfiram na capacidade motora ou cerebral. No entanto, ela não vai se lembrar do que aconteceu pelo resto da vida”, afirma o especialista. O G1 tentou contato com o médico responsável por atender a paciente, mas ele informou que só poderia falar caso tivesse autorização da Secretaria da Saúde, que não liberou a entrevista.
Ela acordou, mas não nos disse o que aconteceu naquele dia"
Eduardo Cézar, irmão de Fernanda
Com base na análise das imagens, Paulo Diniz afirma que Fernanda sofreu uma concussão cerebral – que é a perda da consciência de curta duração que acontece logo após um traumatismo craniano – e uma contusão, quando ela bateu a cabeça no chão. “Pelas imagens é possível ver que ela sofreu dois traumas: a cotovelada e em seguida a queda. O fato dela ter batido a cabeça no chão com força foi pior que a agressão em si”, explica o médico.
Segundo o especialista, Fernanda teve “sorte e azar” ao mesmo tempo. “Podia ter sido pior, ou melhor, não dá para dizer com certeza. Se ela não tivesse batido a cabeça com tanta força, ela podia levantar e andar, como acontece com os lutadores. Mas, ao mesmo tempo, se ela tivesse virado o pescoço e não caído reta, as lesões poderiam ter danos irreverssíveis."
Amarrada durante a noite
O pai de Fernanda, Geraldo Cézar, disse em entrevista ao G1 na terça-feira (26) que a filha apresenta melhoras, mas o sofrimento maior é durante a noite. “Ela precisa ser amarrada na cama para passar a noite, porque se debate por causa das fortes dores de cabeça”, diz.
Geraldo César, pai de Fernanda (Foto: Ana Carolina Levorato / G1)Geraldo Cézar, pai de Fernanda
(Foto: Ana Carolina Levorato / G1)
Geraldo ressaltou que ela está se recuperando aos poucos. “É muito bom ver que ela melhora, conseguimos até conversar um pouco, mas as dores de cabeça não passam nem com remédio. Alguém tem que passar a noite com ela. Está sendo muito difícil, mas minha filha está melhorando”, complementa.
A auxiliar de produção é mãe de um menino, que não teve sua idade ou nome divulgados. Segundo a família, o menino não viu a mãe depois da agressão. “Não queremos que ele veja a mãe nestas condições. Estamos preservando ele”, afirma Geraldo.
Depoimentos
A Polícia Civil de São Roque ouviu na sexta-feira (29) mais uma pessoa que testemunhou a agressão sofrida por Fernanda. A delegada Priscila de Oliveira informou, em entrevista ao G1, que também recebeu do hospital um laudo médico da jovem, mas que o documento não traz novidade à investigação. 
“O laudo recebido foi baseado no prontuário da vítima e apenas aponta as lesões. Será necessário fazer um exame complementar”, explica a delegada. Ainda de acordo com Priscila, esse novo exame deve ser feito em 120 dias, já que a prioridade é zelar pela saúde da vítima. O prontuário médico de Fernanda já foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para que seja elaborado um laudo, a partir dos exames, e que ajudará a concluir o inquérito. Segundo a previsão da polícia, o inquérito será encerrado na semana que vem.
De acordo com a delegada, a testemunha que foi ouvida na sexta-feira retificou o que havia contado. "Primeiramente, ele disse que não tinha visto a cotovelada, mas hoje comentou que viu". De acordo com o advogado da testemunha, ele não vai ser enquadrado por falso testemunho porque não esteve presente no resgate dela e por isso não omitiu socorro.
Ainda segundo a delegada, nenhuma das testemunhas sabe dizer o que causou a discussão. "Algumas pessoas ouvidas disseram que a vítima estava falando alto e mexendo com pessoas que passavam pela rua antes da agressão". Em depoimento, Anderson comentou com a delegada que Fernanda estava alterada. "Ele disse que ela [Fernanda] xingou ele e a irmã (que não estava presente). A cotovelada foi para afastar ela, que estaria incomodando Anderson", comenta Priscila.
De acordo com informações da delegada responsável pelo caso, o comerciante Anderson, que está preso temporariamente por 30 dias desde o dia 19 de agosto, teria afirmado inicialmente para uma das testemunhas que a vítima havia caído sozinha.
A polícia começou a ouvir na quinta-feira (28) o depoimento de testemunhas da agressão. Ao todo, sete pessoas serão ouvidas. A delegada Priscila disse que entre elas estão um socorrista e um casal que aparece nas imagens. Eles devem ser ouvidos nos próximos dias. Segundo a previsão da polícia, o inquérito pode ser encerrado nesta semana.
Delegada ouviu testemunha nesta sexta-feira (Foto: Reprodução / TV TEM)Delegada ouvirá novos depoimentos nesta
semana (Foto: Reprodução / TV TEM)
Duas pessoas foram ouvidas na delegacia durante a tarde de quinta-feira (28) e não quiseram conversar com os jornalistas. Segundo a delegada Priscila, uma jovem prestou depoimento pela primeira vez e outro rapaz que já havia se apresentado à polícia foi convocado à depor novamente. “A garota estava longe e não presenciou o momento da agressão, mas relatou que Anderson foi o primeiro a dizer que a Fernanda tinha caído sozinha. Já a segunda testemunha, que havia falado com a polícia, esclareceu a agressão e confirmou ter visto que a vítima desmaiou após uma cotovelada”, explicou.
No depoimento, a jovem relatou também à delegada que Anderson permaneceu no local durante o resgate e confirmou que Fernanda estava exaltada por causa de uma discussão. “A testemunha alegou que o suspeito chegou a dizer a frase: 'eu disse para ela parar' enquanto Fernanda era socorrida. O rapaz afirmou também que viu a discussão e que outras pessoas tentaram fazer com que a vítima encerrasse a briga, o que não ocorreu”, ressaltou Priscila.
A testemunha alegou que o suspeito chegou a dizer a frase: 'eu disse para ela parar' enquanto Fernanda era socorrida"
Priscila de Oliveira, delegada
A polícia decidiu retomar os depoimentos porque as testemunhas ouvidas na última sexta-feira (22) disseram que não viram o golpe e sim ouviram um barulho. "Mas as imagens mostram claramente que houve testemunhas do golpe”, afirmou a delegada.
Segundo a polícia, as pessoas ouvidas poderão responder criminalmente por falso testemunho se confirmado que elas omitiram informações na primeira versão. Um inquérito foi aberto para apurar o motivo da agressão. Os detalhes do depoimento de Anderson não serão divulgados pela polícia, informou a delegada.
A polícia confirmou que Anderson Lúcio de Oliveira tem passagem por contravenção penal por envolvimento com máquinas caça-níqueis. O comerciante também tem registro de um roubo no qual matou o ladrão, mas a Polícia Civil ressaltou que ele não respondeu por homicídio, já que foi considerado legítima defesa.
Anderson Tingo Oliveira (Foto: Reprodução/TV Tem)Anderson Lúcio de Oliveira está preso
temporariamente (Foto: Reprodução/TV Tem)
'Completamente arrependido'
Carlos Alberto Alves, advogado de Anderson, contou ao G1 nesta segunda-feira (1º) que ainda não entrou com o pedido de liberdade de seu cliente. Ele explicou que aguarda a conclusão do inquérito para decidir os próximos passos da defesa. Ainda conforme Carlos Alberto, a expectativa é que o inquérito seja concluído entre quarta (3) e quinta-feira (4).
O advogado também comentou que seu cliente está abalado e chorando. Ele também está preocupado com sua mãe e tem perguntado sobre o estado de saúde da Fernanda, comentou Carlos Alberto.
Em nota enviada à redação do G1 no dia 27 de agosto, os advogados de defesa do comerciante informam que Anderson está "completamente arrependido". "A defesa informa que acompanha atentamente a colheita das provas e que Anderson está completamente arrependido do ato que praticou e que jamais quis atentar contra a vida de Fernanda", diz a nota.
A defesa do comerciante ainda afirma que foi "surpreendida" pelo pedido de prisão temporária, já que ele "se apresentou espontaneamente à polícia na manhã de terça-feira (19) e relatou o fato às autoridades". Os advogados também dizem que não concordam com o indiciamento por tentativa de homicídio qualificado, pois acreditam "tratar-se de um caso de lesão corporal grave".
A nota assinada pelos advogados Carlos Alberto Alves, Vinícius Bastos e Ariovaldo Souza Barros, diz que eles trabalham para obter a revogação da prisão temporária, mas não esclarece se já entraram com o pedido de habeas corpus. Em contato por telefone com a reportagem, Carlos Alberto afirmou que não daria informações além das que constam na nota oficial.
Vítima estava na frente de clube quando recebeu a cotovelada (Foto: Reprodução/TV TEM)Vítima levou cotovelada após discussão
(Foto: Reprodução/TV TEM)
Discussão e cotovelada
As imagens da agressão foram registradas por uma câmera de segurança de uma loja de motocicletas do outro lado da avenida onde está localizada a casa noturna onde os dois estavam horas antes na avenida Antonio Dias Bastos, no centro de São Roque.
O vídeo, que foi solicitado pela própria família da vítima ao dono do comércio, mostra Fernanda discutindo primeiro com uma pessoa vestindo uma blusa branca. Depois, ela fala com Anderson, que está de terno e com uma lata de cerveja na mão. Na sequência, o rapaz desfere uma cotovelada contra ela. Pessoas que estavam no local chamaram o resgate, que chegou pouco tempo depois. Anderson permaneceu no local, impassível.
Em entrevista ao G1, o advogado da família de Fernanda, Ademar Gomes, afirmou que vai entrar com pedido de prisão preventiva, por acreditar que Anderson apresenta um risco para a segurança de sua cliente. “Fica claro pelo vídeo que ele é uma pessoa violenta. A nossa intenção tem o objetivo de proteger a Fernanda já que ele é um risco para a sua vida. Nas imagens, dá para ver que ele teve a intenção de matá-la, pois em nenhum momento ele se prontificou em ajudar no socorro”, afirma.
Família do agressor está chocada
Em entrevista ao TEM Notícias na segunda-feira (25), Amilton de Oliveira, irmão do comerciante, afirmou que a família toda está chocada com o que aconteceu: "Ele chora muito. Pediu para gente ver com a família dela tudo o que precisar, porque ele não é esse monstro que estão falando que ele é. É um trabalhador."
A cunhada de Anderson, Cristiane da Cunha, esposa de Amilton, acha que, naquele momento, ele não pensou no que estava fazendo. "Ele é uma pessoa calma. Foi um choque para nós e, pelas informações dos advogados, ele também está muito chocado e arrependido do que fez", disse Cristiane.
Amilton de Oliveira e Cristiane da Cunha (Foto: Reprodução/TV TEM)Amilton de Oliveira e Cristiane da Cunha
(Foto: Reprodução/TV TEM)
Protesto em redes sociais
Indignados com a agressão sofrida pela auxiliar de produção, moradores de São Roque resolveram protestar em redes sociais contra Anderson, proprietário de um bar na cidade, que está fechado desde sua prisão.
Os usuários se manifestaram em uma página de recomendações e avaliações de bares e lanchonetes. Entre as publicações, os internautas dizem:
"Covarde! Vai pagar criminalmente e seu Bar vai falir por falta de clientes! Mesmo que a moça estivesse alterada, não justifica a violência", diz uma das publicações. E também: "Inconsequente e covarde: tomara que tenha a vida inteira vendo sol nascer quadrado pra pensar no que fez".​
Mulher estava na frente do clube quando foi agredida por cotovelada (Foto: Reprodução/TV TEM)
Mulher estava na frente do clube quando foi agredida por cotovelada (Foto: Reprodução/TV TEM)
Do G1 Sorocaba e Jundiaí
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